30 dezembro 2008

Faixa de Gaza: a irracional lógica da Guerra

27 de dezembro de 2008

Por Guillermo Sullings

Porta voz do Humanismo na Argentina

Os recentes bombardeios por parte de Israel à faixa de Gaza estão comovendo ao mundo inteiro. Em primeiro lugar pela quantidade de vítimas, e em segundo lugar pelas conseqüências que pode ter uma escalada bélica em um mundo que se encontra à beira de um desastre nuclear.




A pretensão, por parte de Israel, de justificar este sangrento bombardeio, como parte da luta contra os ataques de Hamas, não é mais do que um novo intento de validar um massacre através de hipócritas e irracionais argumentos com os quais os prepotentes belicistas estão levando ao mundo para uma hecatombe.



Deve-se lembrar mais uma vez que o crescimento do terrorismo nos últimos tempos tem sido em boa medida uma conseqüência e uma resposta, violenta e irracional também, no marco da escalada de atropelos por parte das potências bélicas para com as nações mais débeis. Neste contexto, pretender diferenciar a violência dos exércitos formais, que oprimem e massacram povos inteiros, da violência terrorista, que semeia morte e espanto, como se a primeira fosse legal e admissível e a segunda ilegal e reprovável, faz parte da grande hipocrisia da política internacional.



No minúsculo território da Faixa de Gaza vivem, ou tentam sobreviver, mais de um milhão e meio de palestinos, que procuram trabalhar como podem no próprio Israel, subsistindo graças à “ajuda humanitária” da ONU. O recente bloqueio por parte de Israel, com o pretexto de considerá-lo território hostil por albergar também o território de Hamas, mostrou até que ponto se tenta manter esta população sob uma permanente chantagem de prêmios e castigos. Nesta situação, não é para se surpreender então do apoio popular que os violentos podem ter dentro da população.



É bom lembrar também que a Faixa de Gaza é um território que pertencia ao Egito e que Israel ocupou 40 anos atrás, até que recentemente ele passou a fazer parte do território controlado pela Autoridade Nacional Palestina. Esta maneira de proceder, invadindo territórios, seja para se instalar definitivamente, ou para depois negociar lentas retiradas a troco de manter o controle e o poder de algum jeito, é a mesma que os EUA e seus aliados usaram para disciplinar o mundo e manejar seus recursos naturais.



Não resulta estranho então, que perante tão prepotente acionar surjam a cada vez reações mais monstruosas, nas quais os poderosos por sua vez tentam justificar o aumento de sua prepotência alimentando o círculo vicioso da violência que pode nos levar rapidamente para uma catástrofe nuclear. Haja vista que a maior parte dos atores dos conflitos vigentes no mundo são potências nucleares. E não se deve esquecer que a crise econômica internacional atual torna os prepotentes ainda mais perigosos, os quais podem buscar na guerra uma ‘saída política’ para a situação que lhes foi colocada nas mãos.



É claro que todos os conflitos do mundo poderiam ser resolvidos pacificamente desde que avançáramos para uma concepção de uma Nação Humana Universal. Uma Nação na qual todos os países se ocupem de garantir que cada povo possa se desenvolver e tenha um território onde trabalhar em paz, sem pressões nem chantagens. Deve-se compreender também que a intolerância cultural e religiosa são formas da violência desde as que costumam se justificar, com irracional lógica, as escaladas de violência física. Muito deverá ser feito para que os povos tomem consciência de que em um mundo de intolerância e de injustiça, ninguém poderá viver em paz. Mas , nesta forma de consciência, deve-se começar pelo mais urgente: descomprimir as situações de tensão extrema e desarticular os fatores de pressão e chantagem.



Para isso, é fundamental e prioritário que, no mundo todo, as forças invasoras se retirem dos territórios ocupados e que agora mesmo seja iniciado o desarme nuclear.



E, neste caso em particular, Israel não só deveria deixar de atacar imediatamente o povo de Gaza, como também deveria rever sua política intransigente e opressiva para com o povo palestino. E, o povo palestino, por sua vez, deveria tomar consciência de que é necessário buscar uma saída através de alianças de paz com outros povos do mundo e deixar de acreditar na obstinação suicida dos violentos.



Guillermo Sullings
Porta-voz do Humanismo na Argentina

4 comentários

Bruno M. Nunes disse...

Realmente Guillermo..estamos todos esperando essa vergonheira acabar..esperando que os EUA parem de financiar e apoiar a palhaçada toda e que Israel seja mais tolerante e menos ignorante, ao ponto de parar de mascarar essa guerra boba dizendo que é contra o "terrorismo" e o "hamas"..chega de fundamentalismo religioso..chega de hipocrisia..os palestinos têm direitos e merecem seu espaço também (na verdade merecem muito mais na minha opinião, mas enfim..) porque como a história mostra, o lugar era deles muito antes de ser dos judeus, que só porque Abraão foi dizer que era a terra sagrada começou essa coisa toda. Estamos de saco cheio já. Judeus conquistaram a mídia e os bancos, conseguiram dinheiro e poder e agora massacram o povo palestino e disfarçam a culpa no hamás. CHEGA.

porqueparou disse...

E Hannah Arendt? Não entra ao lado de Gandhi e cia?

Anônimo disse...

Bom, primeiro gostaria de falar um pouco sobre o comentário de "porqueparou", sobre Hannah Arendt.

Não acredito q ela entraria ao lado de Gandhi e cia, simplesmente porque Hannah Arendt não é contra a violência. Hannah, como uma liberal, diz ser contra o comunismo (chamado por ela de governo totalitário) e faz uma apologia à liberdade do mercado como regulador das relações sociais. Ela nunca lutou por um mundo mais justo e igualitário, nunca teve um compromisso com a realidade histórica de outros povos que sofriam com o mesmo liberalismo que a filósofa defendia.

Claro que existe a necessidade das relações materiais de existência, Gandhi defendia que seu povo tivesse, desde o início, uma cultura produtiva. E foi exatamente a autogestão na relação de produção dos indianos que foi o estopim do processo de rompimento com a organização socio-econômica inglesa-coloniaslista e que resultaria na Idenpendência do país, afinal, já não era mais um bm negócio para os ingleses explorarem ao máximo as forças produtivas e as mercadorias de lá.

Já a filósofa alemã... O q fez Hannah Arendt se não largar uma Alemanha nazista para se refugiar nos USA e fazer suas apologias à liberdade do mercado capitalista?

A liberdade do mercado já nos mostrou sua grande capacidade de alienação e desumanização do homem, transformando-o em uma simples peça de um complexo jogo de engrenagens. Se estiver "gasto", tem outros para substituí-lo.

Anônimo disse...

Sobre a questão da Faixa de Gaza, não vejo com bons olhos o futuro deste processo. Já são milhares de anos de luta naquela região por conta dos povos em conflito por lá. As relações capitalistas com a renda do monopólio sobre os recursos do Oriente Médio todo, somatizado com a alienação do fanatismo que possuem alguns, resulta até hoje num grande caldeirão de mortes que não vai parar, pois são motivados por interesses pessoais e coletivos, econômicos e religiosos, idealismo e fanatismo.

No jogo de poderes, quem possui o maior poder militar tem sempre maiores chances de deter seu poder sobre um povo (salvo algumas excessões). Infelizmente, essa é a regra mais fria e calculista que existe em nosso planeta e não se descarta jamais numa guerra.

Não acredito que esta guerra haverá algum fim até que um povo sucumba o outro à destruição total. Uma guerra moderna e "oficial" pode durar décadas, talvez até séculos... O que seria terrível para aquele povo, para todos aqueles inocentes que acabam simplesmente despedaçados em fotos e videos da internet.

É uma visão pessimista? Não. Digo que esta é uma visão realista do atual momento histórico em que vivemos.

Porém, é muito provavel que o número de ataques (após intensificar progressivamente) acabem baixando ao longo das semanas (talvez uns 3 meses). Aliás, há um governo nos USA que promete algumas mudanças. Talvez diminua gradualmente, ao longo dos anos de governo de Obama, o tão apoio criminal dos USA para com as atividades militares de Israel.

Por outro lado, temos de levar em conta ainda a recessão mundial que provavelmente provocará diferentes ocilações nas políticas mundiais e nas relações socio-econômicas entre os países do mund todo.

Acredito na possibilidade de uma possível diminuição dos ataques de Israel. Mas a questão dos violentos conflitos da Faixa de Gaza não é de hoje e, infelizmente, não creio em seu fim.

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